Dados de mercado · Relatório do Comprador Estrangeiro 2026

Quem Compra Imóveis no Rio de Janeiro? O Relatório do Comprador Estrangeiro 2026

Estrangeiros já compram cerca de um em cada três apartamentos compactos vendidos em Copacabana, Ipanema e Leblon. Este relatório mostra de onde vem essa demanda — França, Itália, Argentina, Estados Unidos e Alemanha respondem por sete em cada dez consultas estrangeiras que chegam à Oabitat —, o que os compradores internacionais realmente compram na Zona Sul, como pagam e por quê. Ele combina doze meses de dados de demanda da própria Oabitat com os números publicados sobre o mercado e o padrão das nossas vendas.

32%

dos estúdios e apartamentos de 1 quarto vendidos em Copacabana, Ipanema e Leblon foram comprados por estrangeiros (nov. 2025–abr. 2026, Pilar Capital)

França

é a principal origem estrangeira das buscas por imóveis que chegam à Oabitat — 15% de todos os cliques não brasileiros no Google, à frente de Itália, Argentina, EUA e Alemanha

58%

da demanda estrangeira vem da Europa, 40% das Américas — 12 meses de dados do Google, 13 mil cliques estrangeiros

9,2 M

visitantes estrangeiros no Brasil em 2025, um recorde; as chegadas internacionais no Rio cresceram 46% em um ano

De Onde Vem a Demanda por Imóveis no Rio

A Oabitat publica em oito idiomas, por isso a nacionalidade de quem procura imóveis no Rio aparece diretamente nos dados. Nos doze meses até setembro de 2026, o Google enviou 13.049 cliques de fora do Brasil para oabitat.com, e 20.870 sessões reais de visitantes vieram do exterior (tráfego de robôs de Singapura, China e fontes semelhantes removido). O ranking é estável nas duas medidas e nos contatos por WhatsApp, o mais próximo de uma consulta que conseguimos contar.

PaísCliques no Google (12 meses)Participação nos cliques estrangeirosSessões de visitantesContatos por WhatsApp
França2,01215.4%2,96917
Itália1,78513.7%2,26913
Argentina1,65612.7%2,36529
Estados Unidos1,44911.1%4,00332
Alemanha1,36610.5%2,18015
Chile8576.6%1,14013
Espanha7465.7%1,04313
Uruguai4183.2%486
Rússia3712.8%507
Suíça2832.2%4595
Reino Unido2622.0%5654
Canadá2081.6%3888
Países Baixos1220.9%3435
Todos os países fora do Brasil13,049100%20,870183
França15.4% Itália13.7% Argentina12.7% Estados Unidos11.1% Alemanha10.5% Chile6.6% Espanha5.7% Uruguai3.2% Rússia2.8% Suíça2.2%

Duas leituras importam. Primeiro, a Europa é o maior grupo: 58% dos cliques estrangeiros vêm de países europeus contra 40% das Américas, e a França sozinha supera os Estados Unidos. Segundo, as Américas convertem mais rápido: americanos e argentinos enviam mais mensagens de WhatsApp por visita, o que bate com o que vemos no escritório — o comprador argentino ou americano costuma chegar com a passagem comprada, o francês ou alemão com uma planilha. Seis países — França, Itália, Argentina, Estados Unidos, Alemanha e Espanha — geram 69% de toda a demanda estrangeira, e é por isso que a Oabitat trabalha em francês, alemão, inglês, português e espanhol.

O Que os Dados de Mercado Dizem Sobre os Compradores Estrangeiros

Um em cada três compactos

Entre novembro de 2025 e abril de 2026, 17 dos 54 estúdios e apartamentos de 1 quarto vendidos em Copacabana, Ipanema e Leblon foram para estrangeiros — 32% (Pilar Capital / Associated News Brazil). O Sinduscon-Rio estima em cerca de 30% a participação estrangeira nos compactos lançados em Ipanema e no Leblon.

De 2% para 18% em três anos

A Lobie, que administra cerca de 1.620 estúdios no Rio para investidores, relata que os proprietários estrangeiros passaram de cerca de 2% para 18% da carteira em três anos — o investidor de aluguel por temporada é hoje parte estrutural do mercado.

O turismo é a porta de entrada

O Brasil recebeu um recorde de 9,2 milhões de visitantes estrangeiros em 2025 e 4,9 milhões nos cinco primeiros meses de 2026; as chegadas internacionais no Rio cresceram 46% em 2025. O Rio tem mais de 60 mil anúncios no Airbnb, mais que o dobro de 2022. A maioria dos compradores estrangeiros que conhecemos foi hóspede primeiro.

Os dados publicados e os números da própria Oabitat concordam nas nacionalidades, mas as pesam de forma diferente. As pesquisas de compactos, que cobrem estúdios novos vendidos por incorporadoras, colocam os argentinos em primeiro; nossos dados de demanda, que cobrem o mercado de revenda de apartamentos maiores e mais antigos, colocam os franceses em primeiro, com italianos, argentinos, americanos e alemães logo atrás. Os dois estão certos sobre o seu segmento. Argentinos e chilenos se concentram em compactos novos para aluguel por temporada; europeus e norte-americanos se distribuem entre prédios antigos, coberturas e casas.

Quem São os Compradores

O que segue é o padrão que vemos nas transações, avaliações e visitas da Oabitat desde 2020, apresentado como observação de corretor e não como pesquisa. Em Ipanema e no Leblon, os franceses são o maior grupo isolado, com folga. O caráter internacional e aberto de Ipanema — incluindo uma das comunidades gays mais fortes da América do Sul — é parte da razão de o perfil de compradores aqui ser tão europeu: italianos e alemães vêm depois dos franceses, e vemos com regularidade compradores da Dinamarca, Holanda, Suíça, Israel e Estados Unidos. Um grupo distinto, mais velho, com muitos britânicos, compra para se aposentar: um apartamento, uma praia e um estilo de vida, sem nenhum plano de aluguel.

Quatro vendas fechadas que mostram a variedade. Uma cobertura duplex de frente para a praia no Flamengo, com vista ampla para a baía, comprada por um italiano por R$ 1,6 milhão. Uma cobertura muito grande e totalmente reformada no Leblon, sem vista, comprada por um americano por R$ 12,5 milhões — espaço e endereço acima da vista. Um casal germano-americano que alugava o Airbnb do andar de baixo, não chegou a um preço com o proprietário e comprou o apartamento sem reforma um andar acima, de uma vendedora idosa, por R$ 1,7 milhão, remodelando-o por completo. E dois compradores franceses no mesmo ano: um apartamento de família em Ipanema por cerca de R$ 2 milhões e uma unidade menor em apart-hotel na divisa Ipanema–Copacabana, agora em reforma.

O Que os Estrangeiros Compram — e o Que os Brasileiros Deixam Passar

Prédios antigos, sem elevador

Compradores europeus escolhem com frequência prédios das décadas de 1950–70 sem elevador ou porteiro 24 horas que os brasileiros deixaram de valorizar. Pé-direito alto, paredes grossas e uma boa rua importam mais para eles do que área de lazer — e o preço por m² é 20–40% menor.

Cobertura

O último andar continua sendo a compra estrangeira clássica em Ipanema, Leblon e Copacabana: terraço privativo, piscina e um produto de aluguel sem equivalente na Europa por esse preço. As coberturas pedem 20–45% a mais por m² do que os apartamentos do mesmo prédio — veja o Índice de Preços da Zona Sul.

Casarões de Santa Teresa

Os casarões e sobrados antigos de Santa Teresa são baratos em comparação com a praia e atraem um comprador estrangeiro específico: vários viraram hotéis-boutique e pousadas nas mãos de proprietários europeus.

Os estrangeiros também pesam a localização de forma diferente dos compradores locais. Uma vista ou uma rua que desvaloriza um imóvel para o carioca — proximidade de uma comunidade, uma quadra mais movimentada, um prédio sem prestígio — muitas vezes não o desvaloriza para o comprador estrangeiro, cujas referências são os preços de Paris ou Milão e cujos hóspedes de Airbnb julgam o apartamento pelas fotos e pela distância da praia. É nessa diferença que estão as compras de oportunidade, e é também onde o corretor local justifica a comissão: saber quais descontos são reais e quais são culturais.

Por Que Compram: Segunda Casa, Airbnb, Aposentadoria

O plano mais comum é uma segunda casa que se paga sozinha. O comprador passa algumas semanas ou meses por ano no Rio e aluga o apartamento por temporada no resto do tempo. Duas regras fazem isso funcionar para não residentes: o aluguel pago a um não residente é tributado na fonte a uma alíquota fixa de 15% (25% para residentes em jurisdições de baixa tributação), sem declaração de imposto de renda no Brasil, e continuar não residente evita o problema da dupla declaração de quem tem renda no país de origem e no Brasil. Desde a decisão do STJ de maio de 2026, o aluguel por temporada em condomínios residenciais precisa de aprovação de dois terços dos condôminos, por isso os compradores agora verificam as regras do prédio antes do apartamento — nosso guia de imóveis aptos para Airbnb no Rio explica o tema.

O segundo grupo compra puramente para investir, em geral uma ou duas unidades compactas para aluguel por temporada, e olha primeiro a rentabilidade bruta — 5–7% na Zona Sul antes do ganho da temporada, veja a comparação de rentabilidade. O terceiro compra para se aposentar ou para morar: sem plano de aluguel, forte preferência por ruas tranquilas em Ipanema, Leblon, Urca e Lagoa. Um quarto grupo, menor, compra acima de R$ 1 milhão especificamente para a residência de investidor imobiliário, que exige que os recursos venham do exterior.

Como Pagam

Quase todas as compras estrangeiras na Oabitat são pagas à vista — recursos enviados do exterior por contrato de câmbio registrado, o que também torna o dinheiro rastreável para uma revenda futura ou para o pedido de residência. Financiamento bancário no Brasil existe para estrangeiros em teoria, mas é raramente usado: juros acima de 10% ao ano, além de CPF, comprovação de renda e fiador residente, tornam-no impraticável para a maioria. As questões práticas são o momento do câmbio (o real foi de R$ 6,3 para R$ 5,9 por euro no último ano) e a rota da transferência — nosso guia sobre transferir dinheiro para o Brasil sem perder com as taxas de câmbio explica as opções. Os custos de compra, além do preço, são os mesmos para todos: ITBI de 3% no Rio, além das despesas com o cartório e o registro, que somam cerca de 1% (consulte o calculadora de custos de fechamento), e o passo a passo para estrangeiros leva de quatro a oito semanas.

Metodologia, Fontes e Como Citar

Os dados de demanda são o Google Search Console de oabitat.com (cliques por país, 19 de setembro de 2025 a 16 de setembro de 2026) e o Google Analytics 4 (sessões e eventos "click to chat" por país, doze meses até 18 de setembro de 2026), com tráfego de robôs excluído (países com milhares de sessões e nenhum engajamento: Singapura, China, Seicheles, Paquistão, Bangladesh, Vietnã). As participações referem-se aos 40 principais países fora do Brasil. Os números de mercado vêm das fontes listadas abaixo. O comportamento dos compradores é a observação da Oabitat em transações, avaliações e visitas desde 2020 e é apresentado como tal; as quatro vendas descritas são reais e anonimizadas. O relatório é atualizado anualmente.

Jornalistas e pesquisadores podem reproduzir estes números com atribuição e link. Citação sugerida:

Oabitat, Relatório sobre Compradores Estrangeiros 2026 — Quem está comprando imóveis no Rio de Janeiro. https://www.oabitat.com/en/foreign-buyers-rio-de-janeiro-report/

Para uma declaração, as tabelas completas ou um comentário sobre uma nacionalidade ou bairro específico, escreva para consultant@oabitat.com ou WhatsApp +55 21 95902-8516.

  • Pilar Capital / Associated News Brazil, via Diário do Rio, 27 de maio de 2026: 17 de 54 vendas de estúdios e apartamentos de 1 quarto em Copacabana, Ipanema e Leblon para estrangeiros (32%), novembro de 2025–abril de 2026; argentinos o maior grupo, seguidos de compradores da Inglaterra, Espanha, Suíça, França, Romênia e Nova Zelândia.
  • Sinduscon-Rio (Claudio Hermolin), via Deutsche Welle / CartaCapital, 18 de julho de 2026: cerca de 30% dos compactos lançados em Ipanema e no Leblon vendidos a estrangeiros; Lobie: proprietários estrangeiros de ~2% para 18% de uma carteira de 1.620 estúdios em três anos.
  • Ministério do Turismo / Embratur via DW: 9,2 milhões de visitantes estrangeiros em 2025, 4,9 milhões de janeiro a maio de 2026; chegadas internacionais no Rio +45,9% em 2025 (Casa e Mercado, 22 de maio de 2026); AirDNA: mais de 60 mil anúncios do Airbnb no Rio.
  • Receita Federal: retenção de 15% sobre aluguéis pagos a não residentes (25% para jurisdições de baixa tributação); CNIg, residência por investimento: mínimo de R$ 1 milhão de origem externa.
  • Exportações do Google Search Console e do GA4 da Oabitat, setembro de 2026; registros de transações da Oabitat 2020–2026 (anonimizados).

Os números de demanda descrevem o interesse que chega a uma única imobiliária e não são um censo de compras; os números de mercado são citados das fontes indicadas para os períodos indicados. Regras fiscais e de visto mudam; confirme as regras vigentes com um profissional qualificado antes de comprar. A Oabitat é uma imobiliária licenciada (CRECI-RJ), não uma consultoria fiscal ou jurídica.

Perguntas mais frequentes

Quais nacionalidades mais compram imóveis no Rio de Janeiro?

Nos dados de demanda da Oabitat, os franceses lideram (15% dos cliques estrangeiros de busca), seguidos de italianos, argentinos, americanos e alemães; com a Espanha, esses seis países somam 69% da demanda estrangeira. Pesquisas de compactos novos vendidos por incorporadoras colocam os argentinos em primeiro. A Europa responde por 58% do interesse estrangeiro, as Américas por 40%.

Que parcela dos apartamentos em Ipanema e no Leblon os estrangeiros compram?

Cerca de um terço dos compactos: 32% dos estúdios e apartamentos de 1 quarto vendidos em Copacabana, Ipanema e Leblon entre novembro de 2025 e abril de 2026 (Pilar Capital), e cerca de 30% dos compactos lançados em Ipanema e no Leblon (Sinduscon-Rio). Não existe número comparável para apartamentos maiores e coberturas, onde os estrangeiros são uma parcela menor, mas de ticket mais alto.

Os estrangeiros pagam à vista ou financiam no Brasil?

Quase sempre à vista, com recursos enviados do exterior. Financiamentos para não residentes existem, mas com juros acima de 10% ao ano, exigência de CPF e comprovação de renda e, muitas vezes, fiador — por isso raramente são usados.

Como é tributado o aluguel de um proprietário não residente?

Com retenção fixa de 15% sobre o aluguel bruto (25% para residentes em jurisdições que o Brasil classifica como de baixa tributação), sem declaração de imposto de renda no Brasil. Residentes fiscais pagam alíquotas progressivas de até 27,5% sobre o aluguel líquido.

Um estrangeiro pode obter residência comprando um imóvel no Rio?

Sim — a residência de investidor exige a compra de um imóvel de pelo menos R$ 1 milhão (R$ 700 mil no Norte e Nordeste) com recursos transferidos do exterior. Veja o guia do visto de investidor no Brasil.

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